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Confinamento ou semiconfinamento: como definir o melhor para a sua realidade  

18/07/2019 | Autor: Marcos Baruselli - Gerente de Categoria Confinamento

O sistema extensivo extrativista de produção de bovinos de corte, caracterizado por baixa taxa de lotação e baixo ganho de peso por animal, tem cedido cada vez mais espaço aos sistemas mais intensivos de produção de bovinos de corte, como o confinamento ou o semiconfinamento. Nos sistemas de produção mais intensivos, em que tanto a produção de arrobas por animal como a produção de arrobas por unidade de área são significativamente maiores quando comparados com o extensivo, o produtor rural pode não somente elevar a produtividade de arrobas da sua propriedade rural, como também torná-la mais produtiva e competitiva financeiramente, inclusive frente às outras atividades agropecuárias. Tanto o sistema de confinamento como o de semiconfinamento têm sido empregados por produtores rurais na fase de terminação dos animais, isto é, na fase final de engorda dos bovinos que, até pouco tempo atrás, era feita exclusivamente a pasto, demandando longos períodos.

O produtor rural pode decidir pelo uso dos sistemas intensivos sempre que houver necessidade de acelerar o ganho de peso animal, produzir bois de ciclo curto, aumentar a produção de arrobas por animal e, também, aumentar a produção de arrobas por unidade de área da sua propriedade rural. Para entender melhor como funciona cada um dos modelos de produção e, dessa forma, definir qual o melhor sistema dentro da realidade de cada produtor, subentende-se que o semiconfinamento é um sistema de produção que consiste em arraçoar bovinos por meio de cochos estrategicamente posicionados nas próprias pastagens. No semiconfinamento, os animais permanecem nos pastos e recebem diariamente uma quantidade determinada de ração concentrada, que pode variar de 0,5% até 2,2% do peso vivo do bovino. Neste sistema, o ganho de peso diário dos bovinos tem girado em torno de 1,0 até 1,5 Kg por dia, dependendo da categoria animal, da qualidade dos pastos e da quantidade de ração administrada diariamente.

Mais simples e de manejo mais fácil quando comparado com o sistema de confinamento, o semiconfinamento tem sido adotado por pequenos e médios produtores rurais em todo o Brasil e, também, é um sistema que requer menos investimentos em instalações rurais, equipamentos agrícolas e capacitação de mão de obra rural.

Já o confinamento consiste em levar os animais para baias específicas, formando lotes homogêneos de 80 a 120 animais em média, em que toda a alimentação, tanto volumosa quanto concentrada, é administrada em cochos apropriados por períodos pré-determinados, normalmente de 90 a 120 dias. Neste sistema, os ganhos diários dos bovinos têm sido mais elevados, da ordem de 1,5 a 1,8 Kg por bovino por dia, podendo chegar, em casos nos quais a genética, a nutrição e a sanidade são de excelência, a ganhos de peso superiores a 2,0 kg por bovino por dia, como demonstrou o Tour DSM de Confinamento, realizado em diferentes estados do Brasil, entre os anos de 2015 a 2018.

O confinamento é um sistema que requer mais investimentos em equipamentos, máquinas e instalações rurais. É o mais intensivo de todos os sistemas de produção de bovinos e tem sido adotado por pequenos, médios e grandes produtores rurais em todo o Brasil. As baias devem ser construídas de modo a disponibilizar cerca de 14 metros quadrados por animal, podendo chegar a 28 metros quadrados por animal em casos de confinamentos no período das águas. Devem dispor de bebedouros apropriados, com boa vazão de água e, em regiões muito quentes, recomenda-se, também, a construção de sombrites no interior das baias, disponibilizando de três a quatro metros quadrados de sombra por animal no terço final das baias. Com relação à metragem de cocho, recomenda-se cerca de 40 a 50 centímetros de cocho por animal adulto confinado, onde a ração deve ser disponibilizada de três a quatro vezes ao dia.

Ambos os sistemas têm crescido de forma expressiva no Brasil, mostrando que a pecuária de corte está realmente se intensificando. Recentemente, o Serviço de Informação de Mercado - SIM da DSM, realizou um censo de confinamento e constatou que, em 2018, foram confinados cinco milhões de bovinos no Brasil, o maior número já alcançado desde então. Os estados com maior número de bovinos confinados foram Goiás, Mato Grosso e São Paulo. Estima-se que outros cinco milhões de bovinos sejam semiconfinados no Brasil todos os anos. Somados, ambos os sistemas já representam 10 milhões de bovinos, o que equivale a um quarto de todos os bovinos abatido anualmente no Brasil.

A intensificação da pecuária de corte é, portanto, uma realidade no Brasil e deve-se, principalmente, à necessidade de produzir mais com menos recursos naturais e de forma sustentável, tanto do ponto de vista econômico como também social e ambiental.

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