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Observando a qualidade ideal das pastagens para equinos  

04/10/2019 | Autor: José Luiz Domingues - Engenheiro Agrônomo da J.L. Domingues Consultoria Agronômica

Às vezes, paramos e ficamos observando um piquete formado por uma ou mais espécies forrageiras ou por aquela forrageira que escolhemos com algum critério e que conduzimos diariamente como nossas pastagens para serem fonte de fibra, energia, proteína e minerais para nossos animais.

Muitos técnicos, práticos, tratadores e proprietários já estiveram nessa situação, perguntando-se: “Será que já está na hora de soltar um lote aqui?” Sabemos que, quanto mais tempo o piquete estiver vedado, maior a produção vegetal por área e maior a capacidade de suporte desse piquete. Entretanto, quanto mais o tempo passa, menor a qualidade nutricional dessa forrageira quanto aos teores de proteína e digestibilidade. O tempo aumenta a quantidade de folhas, o que é bom, mas também aumenta a quantidade de hastes, o que não é tão bom. Então, qual é o ponto ideal, ou pelo menos bom, para iniciar o pastejo desse piquete?

Devemos considerar também que a qualidade e a quantidade da forragem disponível aos animais durante o pastejo vão diminuir gradativamente. A cada dia de pastejo, teremos uma menor massa disponível e com menor qualidade. Portanto, não é apenas a data de entrada que deve estar nas nossas observações. E vários técnicos, práticos, tratadores e proprietários também já estiveram nessa situação, perguntando-se: “Já está na hora de tirar esse lote daqui?”. Estas duas situações, aparentemente problemáticas e talvez difíceis para muitos, estão na base do manejo de pastagens.

Um manejo correto visa sempre a atender às demandas nutricionais dos animais, ao mesmo tempo em que detecta as demandas do sistema solo-planta, procurando colher dele a maior produção, a maior qualidade e no menor custo. Quem maneja bem suas pastagens, atende às demandas dos animais em qualidade e quantidade de forragem nova, folhosa e nutritiva, sem se esquecer de atender às necessidades das plantas forrageiras para que isso ocorra. Essas plantas deverão estar recuperadas tanto em sua parte aérea como em sua parte radicular, para manter a produtividade desejada e sua perenidade no sistema.

Essa produtividade é representada por vários fatores distintos, mas interligados, como: taxa de cobertura de solo, número de plantas por área, interceptação da radiação solar, temperatura ambiente, quantidade de perfilhos por planta, peso desses perfilhos, umidade e fertilidade do solo. Somam-se a estes a espécie forrageira, a época do ano, o local de produção e, principalmente, quem maneja isso tudo.

Como já apresentado, o fato inexorável no pastejo é que, a cada dia que passa, haverá uma diminuição na quantidade disponível aos animais e, também, na qualidade oferecida a eles. Mas os animais não consomem tudo o que lhes é oferecido, havendo uma grande seletividade no pastejo. Essa seletividade existe enquanto houver forragem palatável a ser coletada. Quando não houver mais disponibilidade de forragem de qualidade a ser selecionada pelos animais, o pastejo cessa ou diminui drasticamente.

Bom, aqui parece que já temos alguma indicação sobre como proceder para saber se está na hora de colocar ou tirar os animais de um determinado piquete. Não se deve colocar um determinado lote de animais em um piquete muito jovem, com um curto período de descanso, nem em um piquete com plantas ainda baixas em altura, pois tanto a cobertura de solo, como a oferta de folhas, ainda está reduzida. Para obter essas condições de pastejo, precisamos atender às condições de crescimento das diferentes espécies forrageiras, tanto em densidade de plantas como em fertilidade de solo e em umidade adequada de solo ou período de descanso após pastejo. O lote deve entrar para pastejo quando a oferta de forragem permitir uma boa seletividade pelos animais durante todo o período de ocupação desse piquete. E deve sair do pastejo quando essa seletividade na coleta de forragem não for mais atendida.

Pastejar os animais é observar como eles capturam a forragem e como ela foi selecionada, ver como os animais se deslocam pelo piquete, quanto tempo as cabeças ficam abaixadas, e observar como aquele “dossel” de folhas vai diminuindo com o tempo. É estar com um olho no pasto disponível e outro na condição corporal de cada indivíduo. Pastejar bem nossos animais é nunca sobre pastejar as forrageiras, e observar o crescimento da espécie forrageira a cada período de descanso pós-pastejo. Também é adequar o tamanho e a capacidade de suporte dos piquetes para que o controle do tempo seja apenas uma das ferramentas de manejo.

Se o manejo dos animais a pasto for bem sucedido nesses atendimentos e condições, haverá sobras não pastejadas, muito esterco e urina espalhados e bem distribuídos e não haverá áreas super pastejadas. Assim, o sistema solo-planta animal estará mais equilibrado. Nesse ponto, o tempo anotado no calendário será apenas um aliado, sem precisarmos nos questionar se devemos ou quando devemos colocar ou tirar um lote do piquete. Será um prazer parar na frente de qualquer piquete e avaliar a sua qualidade para os equinos, observando-o com critérios sólidos e com a certeza de ter tomado a decisão correta.

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