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Suplementação mineral e vitamínica para cavalos em exercício físico  

29/05/2019 | Autora: Cristina Simões Cortinhas - Supervisora de Inovação e Ciência Aplicada Ruminantes

 

Pouco se discute sobre suplementação mineral e vitamínica para equinos. No entanto, a suplementação de equinos com minerais e vitaminas é muito importante não só pelo fato de estes animais serem muito utilizados para o esporte, mas também por serem utilizados no trabalho em fazendas com o manejo do gado de corte e, em menor escala, de leite. Os minerais e as vitaminas desempenham importante papel no metabolismo energético, equilíbrio eletrolítico e respostas inflamatórias. Cavalos submetidos ao exercício físico têm sua homeostasia alterada e necessitam de maiores cuidados quanto à sua dieta, pois isso pode interferir no seu desempenho físico. Tradicionalmente, a suplementação mineral é realizada com sais inorgânicos, geralmente sulfatos.

Estudos com outras fontes de minerais, como os Minerais Tortuga - os quais têm maior capacidade de serem convertidos em formas biologicamente ativas no organismo animal -, intensificaram-se a partir da década de 80. Em cavalos, espera-se que os minerais complexados sejam melhor absorvidos na mucosa intestinal e, desta forma, melhor utilizados em seu metabolismo. No que se refere às vitaminas, elas atuam como cofatores enzimáticos, modulando as reações celulares, e são ingredientes requeridos em quantidades muito pequenas, mas que podem causar grande impacto positivo na saúde e na performance do cavalo.

Recentemente, a DSM realizou um trabalho em parceria com o grupo de pesquisa do professor Augusto de Oliveira Gobesso (FMVZ-USP), com o objetivo de avaliar o desempenho decavalos submetidos ao exercício físico suplementados com os Minerais Tortuga e com as vitaminas em níveis ótimos (OVN® – Optimun Vitamin Nutrition). O trabalho foi realizado nas dependências do Laboratório de Pesquisa em SaúdeDigestiva e Desempenho de Equinos (LabEqui) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), em Pirassununga (SP).

Oito cavalos Puro Sangue Árabe foram distribuídos aleatoriamente para receber quatro diferentes dietas:

a) Com Minerais Tortuga e vitaminas em nível OVN;

b) Com Minerais Tortuga e sem vitaminas;

c) Com minerais inorgânicos e vitaminas em nível OVN;

d) Com minerais inorgânicos e sem vitaminas.

Os cavalos foram submetidos à realização de exercícios físicos de intensidade moderada, em exercitador circular mecânico para cavalos, durante uma hora (dividida nas velocidades de 8, 12 e 15 km/h), cinco vezes por semana. Foram avaliados parâmetros bioquímicos, tais como: concentração de glicose, utilizada como combustível para nossas células com maior intensidade durante o exercício físico; lactato, produzido após a queima da glicose e que, em grande quantidade, é prejudicial por reduzir o pH celular (acidez); e enzimas associadas à resistência muscular do indivíduo (CK, AST e LDH), cujo aumento pode significar lesão na membrana ou na célula muscular. Também foi feita a avaliação física por frequência cardíaca, utilizada como índice indireto da capacidade cardiovascular, e sudorese, principal mecanismo de controle de temperatura, mas que pode significar perda de eletrólitos importantes; e do status mineral, por mineralograma capilar.

 

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Gráfico 1 - Efeito do fornecimento de dietas com Minerais Tortuga sem vitaminas (TM-), Minerais Tortuga com vitaminas em nível OVN, inorgânicos sem vitaminas (I-), inorgânicos com vitaminas em nível OVN e (I+) sobre a concentração de lactato (mmol/L) no plasma dos equinos nos dias 0, 30 e 60 do experimento.

 

Os principais resultados aferidos foram os seguintes:

- A concentração de glicose foi menor nos animais que receberam vitaminas, o que provavelmente está relacionado ao fato de as vitaminas serem cofatores enzimáticos no metabolismo da glicose, entre outros, atuando na melhora da sua utilização durante o exercício físico;

- Com relação ao lactato, no momento de maior esforço físico, a concentração foi maior nos cavalos que receberam os minerais inorgânicos sem vitaminas, indicando menor capacidade competitiva destes animais;

- Houve uma diminuição na concentração de Ca, Mn e Se nos pelos com o fornecimento de vitaminas. Já com o fornecimento dos Minerais Tortuga, a concentração de Mg nos pelos foi superior à dos pelos de cavalos que receberam os minerais inorgânicos;

- A taxa de sudação foi menor nos animais que receberam as dietas com vitaminas em níveis OVN e não foi influenciada por minerais ou por parâmetros meteorológicos. Durante o exercício físico, os processos químicos envolvidos com o fornecimento de energia para a atividade muscular produzem uma quantidade de calor significante, consequentemente, aumentando a sudação. Neste contexto, a menor sudação dos cavalos que receberam as vitaminas indica maior preparo destes cavalos quando submetidos ao exercício, provavelmente por uma melhora nos mecanismos de fornecimento e aproveitamento de energia para o exercício.

Dado o exposto, concluiu-se que, em equinos que realizam exercício aeróbio de intensidade moderada, a adição de vitaminas pode melhorar o mecanismo termorregulatório por meio de um aperfeiçoamento na eficiência do uso do calor produzido durante a sua execução, levando à menor perda de água e eletrólitos pela transpiração. As vitaminas podem favorecer a utilização da glicose, evitando que esta seja constantemente liberada na corrente sanguínea sem que seja aproveitada. Além disso, quando adicionadas aos minerais inorgânicos, as vitaminas ajudaram a diminuir a produção de lactato, de forma semelhante aos Minerais Tortuga, quando o esforço físico foi maior (D30).

Este trabalho foi tema de tese defendida em dezembro de 2018 e comprovou os bons resultados com o uso de Minerais Tortuga e vitaminas em níveis ótimos (OVN) também na performance de equinos. Hoje, no Brasil, a DSM já tem os Minerais Tortuga incluídos em dois de seus produtos da linha de equinos – o Kromium® e o Kromium® Proteico, que têm demonstrado resultados igualmente satisfatórios no campo.

 

REFERÊNCIAS

SOUZA, R. P. Minerais Orgânicos e Inorgânicos com e sem Suplemento Vitamínico sobre o Desempenho Físico de Equinos em Exercício Aeróbio. Dissertação (Mestrado em Ciências) - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia,

Universidade de São Paulo. São Paulo, p. 87. 2018

 



 

 

 

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