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Suplementação no cocho ou free-choice: por que e como fazer?    

18/11/2019 | Autor: Marcelo Grossi Machado, Gerente Técnico  Nacional de Gado  de Leite    

Uma das discussões mais antigas e mais acaloradas envolvendo a nutrição é, sem dúvida,  o uso ou não de suplementação mineral em cocho para vacas confinadas ou semiconfinadas e, claro, qual suplemento usar. Esse é o chamado sal de cocho ou sal free-choice.

Isso se deve à falta de informações científicas robustas sobre os benefícios  dessa estratégia e, especialmente, por falta de conhecimento das fazendas e técnicos sobre fatores relacionados ao custo-benefício e variabilidade de dados zootécnicos das fazendas. Outro dado que não encontramos de forma fácil é a casuística, ou seja, qual a porcentagem dos produtores usam ou não a ferramenta, o que poderia ser um indicador de vantagem versus desvantagem. Por isso esse assunto não deve ser debatido do ponto de vista apenas biológico, mas também matemático.

É sabido que fazendas que possuem dietas bem balanceadas já possuem também um núcleo mineral balanceado adequadamente para a média dos lotes (produção de leite, peso vivo, dias em lactação – DEL -, entre outros). Porém, temos que lembrar que dentro de cada lote há uma enorme variabilidade de animais, com desvios grandes de produção de leite, DEL e peso. Isso cria uma variabilidade enorme de exigências nutricionais. E quanto mais variável os dados, pior o desvio entre o que o indivíduo precisa e o que formulamos para a média.

Dentro desse conceito, precisamos entender outras duas importantes premissas: primeiro, é preciso saber o que significa variabilidade e o que significa média e, segundo, entender se o lote criado pela fazenda consegue  explorar o máximo de diferença interlotes (entre lotes diferentes) e o mínimo intralote (dentro do mesmo lote). Existe um conceito chamado de desvio padrão que mede quanto os animais destoam da média e pode ser calculado facilmente em uma planilha de Excel, por exemplo. Quando dividimos esse  desvio padrão pela média, temos o que chamamos de coeficiente de variação e que serve de indicador se o lote ficou bem feito ou não, independentemente de seu critério (Leite, DEL, mérito leiteiro etc.). Por exemplo: um lote de 30 L de média e 3 L de  desvio padrão, teria 10% de  coeficiente de variação; um lote de 40 L de média e 8 L de desvio padrão teria 20% de coeficiente de variação.  Como premissa, consideramos um bom lote com menos de 20% de  coeficiente de variação. Nesse caso,  garantimos que poucas vacas sejam superalimentadas e engordem o que gera custo desnecessário, ao mesmo tempo que poucas vacas serão subalimentadas, gerando baixa produtividade.

As vacas mais produtivas ou maiores, por exemplo, tendem a consumir mais matéria seca no cocho e suprirem essa diferença, porém esse ajuste de consumo natural não ocorre de maneira proporcional às que as exigências crescem. Por exemplo ela tende a cobrir as exigências de proteína e energia, mas pouco as de minerais, especialmente microminerais e também vitaminas nos conceitos mais modernos, pós-NRC 2001. Outro ponto a lembrar é que nos meses de estresse térmico (no Brasil quase todos) as exigências de sódio (Na) e potássio (K) aumentam e assim precisamos ainda mais do suplemento no cocho livre.

Quando avaliamos outros fatores também agravantes como grau sanguíneo muito heterogêneo (comum no Brasil), DEL muito alto (lotes com diferença de DEL alto, também comum no país devido ao baixo sucesso reprodutivo), pouca oportunidade de fazer muitos lotes, limitação de espaço de cocho etc. Essas diferenças e a incapacidade da vaca ajustar seu consumo pioram ainda mais e não possibilitam que ela alcance todos minerais que foram feitos para ela.

E ainda pior: as diferenças de exigências serão aparentes quanto mais produtiva ou melhor for nossa vaca, ou seja, estaremos passando a “régua por baixo” e não por cima e punindo nossos melhores animais. Em curto prazo, podemos não perceber nada, mas, em médio prazo, podemos perceber aumento de incidência de doenças e, em longo prazo, baixa longevidade (morre ou é descartada rápido)

Aqui abrimos uma outra forma de pensar: não focar em custo-benefício, típico e visível, mas em risco. O que é melhor: trabalhar administrando possíveis problemas ou administrar soluções com um custo aparentemente maior em curto prazo?

A resposta depende de qual é o impacto imediato da ferramenta (sal mineral de cocho) e vemos esse valor ser calculado em torno de R$ 100-150/vaca/ano (<2% da renda bruta do leite, segundo o PGDSM – Programa Gestão DSM de Leite 2019) quando comparamos um bom sal mineral versus sal branco, por exemplo, e esse retorno perante custo de doença reflete na fazenda em menos de um ano.

Encontramos por outro lado outras teorias no campo: não usar nada porque não precisa, usar sal branco porque só serve para “distrair a vaca do estresse” ou até mesmo bicarbonato de sódio buscando melhor estabilidade de pH ruminal e saúde. Todos tem seus prós e contras, mas quando avaliamos custo-benefício e solidez científica, não parecem ter fundamento maior do que o uso do sal mineral tradicional.

Em linhas gerais, o jeito certo de usar deve seguir algumas premissas para evitar gastos desnecessários e máximo retorno:

- O nível de fósforo não deve ser entendido como quanto maior melhor (exemplo: sal 90 vs sal 80). Isso porque entre todos minerais, o fósforo é o que se tem mais conhecimento a respeito e o que percebemos que as exigências dos animais são  facilmente atendidas pelas atuais dietas;

- Focar em microminerais (que normalmente não olhamos) e buscar fontes de alta absorção, como os Minerais Tortuga. Os microminerais são muito mais importantes para reprodução e saúde do que fósforo por exemplo para gado de leite;

- Possuir aditivos extras, tais como Cromo Tortuga, em busca de benefícios adicionais.

E lembre-se: quanto mais estresse, estresse térmico, variabilidade de manejo, grau de sangue; quanto menor sua maturidade de manejo e de mão de obra; quanto pior o DEL etc., torna-se mais necessária a estratégia de uso de sal de cocho, pois sua variabilidade aumenta.

O Bovigold® Pasto da Tortuga, uma marca DSM, foi feito sob medida para essas situações e suplementa várias vacas no Brasil há décadas com grande sucesso. E você? Qual fazenda é a sua?

 

 
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