Reserva genética que faz a diferença

Reserva genética que faz a diferença

23/11/2017 | Autor: Larissa Vieira

Os pecuaristas Alexandre Mendonça de Barros, Bruno Mario Toldi e Flavio Cotrim Ferreira uniram seus trabalhos e formaram o Grupo Mocho Brasil, para oferecer reprodutores de alta qualidade ao mercado. Sob a orientação técnica de William Koury Filho e Nicole Tramonte, da Consultoria  Brasil  com Z  (desde o acasalamento das matrizes até as avaliações morfológicas da desmama e do sobreano, que complementam o trabalho de melhoramento genético), as fazendas Ranchinho (Selvíria/MS), Santa Luiza (Bocaina/SP) e Boticão (Barretos/ SP) contam com a parceria do programa Boi Verde da Tortuga | DSM para a nutrição dos seus rebanhos.

“O meu trabalho com o Nelore Mocho BMT tem uma história de mais de 70 anos no aprimoramento da raça. Iniciado pelo meu avô, Antonio Lunardelli, por volta de 1931, na Fazenda Taboleiro, em Valparaíso (SP), foi, sem dúvida, um dos primeiros com a raça”, conta Bruno Toldi.

Segundo ele, a seleção criteriosa das matrizes e a pressão de seleção, com descartes rigorosos das vacas que não produzem, todo ano, um bezerro bom aprimoram o plantel. “Sempre procurei selecionar um gado adaptado a pastagens, pois acredito ser este o diferencial no presente e no futuro do Brasil”, ressalta.

Nas propriedades do Grupo Mocho Brasil, a seleção das matrizes BMT obedece aos seguintes critérios: criação a campo; prioridade para a habilidade maternal e a produção de leite; regularidade na sua vida reprodutiva (a vaca deve parir todo ano e, se estiver no caminho certo, gerar bezerro melhor do que no ano anterior e desmamá-lo acima da média do rebanho); passar à sua progênie um biótipo funcional e, preferencialmente, o caráter mocho; e perseguir os índices econômicos, ou seja, produzir, em sua vida útil, o maior volume de kg na soma de suas crias.

“O mercado disponibiliza os melhores reprodutores a que qualquer um pode ter acesso, porém as matrizes são únicas de cada criador, estampam as suas impressões digitais e contribuem com 50% da genética para o produto final”, afirma o pecuarista.

O índice médio de prenhez das matrizes BMT na estação é de 85%. “Seguimos o programa de melhoramento genético da ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores), no qual estamos enquadrados no seleto grupo dos três selos: G1, G2 e G3”, conta Bruno Toldi, acrescentando que o plantel participa das melhores provas de ganho de peso a pasto do País, destacando-se no comparativo com outros grandes criadores.

Critério de Manejo

Nas fazendas do grupo, todo o trabalho é realizado com muita calma por uma equipe competente, objetivando, principalmente,  o bem-estar animal. É fundamental que os animais tenham um bom capataz de gado, que conheça a fundo todas as matrizes e o seu histórico reprodutivo, sejam criados em pastagens de boa qualidade e com uma suplementação nutricional adequada. 

“Neste ponto, preciso destacar a qualidade dos produtos Tortuga | DSM, que uso há mais de 30 anos e dos quais não abro mão de maneira nenhuma”, observa Bruno Toldi. “Com mineralização, não se deve brincar. Com uma boa genética e uma boa condição nutricional, é meio caminho andado”, explica, salientando que, dessa forma, os índices de prenhez naturalmente serão bons e os bezerros serão desmamados em condições de enfrentar a recria com reservas.

O manejo das propriedades é feito em módulos rotacionados para as matrizes, com piquetes de 4,5 ha e praça de alimentação. O uso de creep-feeding, iniciado neste ano, já apresenta resultados satisfatórios.

“Até os 120 dias, os bezerros são totalmente dependentes do leite materno e da habilidade de suas mães. Com quatro meses, começam a lamber o Fosbovinho na praça de alimentação, em cercado apropriado. Mais do que ganhar peso, este sistema faz com que o bezerro desenvolva a atividade do rúmen, preparando-o para a fase da recria (desmama). Com este sistema, consegui passar da minha média anterior de desmama – que sempre foi de 240 kg para os machos e 220 kg para as fêmeas – para 260 kg para os machos e 240 kg para as fêmeas”, destaca o empresário.

A desmama ocorre em maio, junho e julho, pois as propriedades seguem a estação de monta (novembro, dezembro e janeiro, com repasse em fevereiro).

Desmamados, estes bezerros, na seca, entram em um módulo rotacionado com piquetes de 1,5 ha de capim Vaquero (cinodon) com praça de alimentação, onde receberão um proteico nesta fase, de julho/ agosto a dezembro/janeiro, quando vão para um novo rotacionado de capim Piatã, com piquetes de 4 ha e praça de alimentação, onde mudam o proteinado na recria.

Para finalizar, os animais vão para o confinamento por 100 a 120 dias, onde recebem silagem de milho e ração seca a 1% do seu peso vivo, em preparação para o Leilão, em que serão vendidos com 21 a 24 meses e média de 630 a 650 kg. Este manejo é feito para os machos. As fêmeas continuam no rotacionado de Vaquero com proteinado e são, entre 13 e 15 meses, colocadas com jovens reprodutores selecionados na cabeceira de cada geração para o desafio de precocidade. O leilão anual do Grupo Mocho Brasil, que oferece ao mercado seus reprodutores melhoradores, criados a campo, com biótipo funcional, precoces e com excelente acabamento de carcaça, será realizado no dia 17 de outubro, com transmissão pelo Canal do Boi.