[Sucessão] Prata da casa

[Sucessão] Prata da casa

18/11/2017 | Autor: Larissa Vieira

Nem mesmo no agronegócio, o setor que mais impacta a economia nacional, a sucessão familiar é uma tarefa fácil. Pouco mais de 28% dos filhos e filhas dos produtores rurais participam do negócio da família. E, quando se fala em pecuária, apenas 30% das famílias se dedicam ao campo há mais de 30 anos. Na agricultura, esse índice chega a 60%. É o que aponta a pesquisa feita pelo Departamento do Agronegócio da FIESP e pela Organização das Cooperativas Brasileiras.

Esses dados mostram a importância de planejar com antecedência quem comandará os negócios no futuro. Segundo o especialista em sucessão familiar em empresas rurais, Cilotér Borges Iribarrem, o pai não deve forçar a entrada dos filhos no negócio. “A sucessão é inerente à vida das pessoas e das empresas e, por isso, deve ser planejada e estruturada sempre com a presença dos pais. Para todos, o aprendizado é permanente, mas começar a ter contato com o tema da sucessão é o melhor caminho para os produtores rurais garantirem o sonho de dar continuidade aos seus negócios através de seus filhos e netos, mantendo a harmonia familiar”, ensina.

Foi dentro desse conceito que o engenheiro- agrônomo e pecuarista Antônio Renato Prata, conhecido por todos como Pratinha, conseguiu unir três gerações na gestão da Prata Agropecuária. Aos 85 anos, ele comanda a seleção de cinco raças bovinas de corte e de equinos, juntamente com a filha Renata, a nora Adrianny e os netos Theodoro, Isadora e Isabela. São mais de 50 anos de tradição que, se depender da nova geração dos Prata, será mantida. “Na nossa família, nunca nos foi imposto que os filhos e netos deveriam trabalhar nos negócios pecuários. Minha irmã, por exemplo, preferiu atuar em outro setor. Já para mim, foi algo natural”, conta Isabela Prata.

Ela encara os negócios como o avô, sempre aberto às mudanças e às novas idéias. E foi isso o que cooperou para a entrada dos netos no grupo. Os três são formados em administração e trouxeram a inovação que a empresa precisava. O comando foi sendo, aos poucos, dividido com as novas gerações. Pratinha continua à frente dos negócios, instruindo e orientando seus sucessores com seu conhecimento e sua experiência de mais de meio século.

O primeiro contato dele com a área se deu pela agricultura, como produtor de arroz e milho em Barretos/SP. Fundou, também, uma fábrica de rações balanceadas e de sal mineral. Em 1963, mudou-se para a região oeste do estado e, logo depois, decidiu investir na pecuária, apostando primeiro nas raças zebuínas. A seleção de Nelore Mocho vem desde 1965. Hoje, na Fazenda Dois Irmãos, em Tarabaí/SP, o rebanho é composto de 450 matrizes da raça.

Posteriormente, decidiu diversificar a criação de zebu. Influenciado pelo cunhado Rubico Carvalho, um dos pioneiros na introdução da raça Brahman no Brasil, adquiriu sêmen de touros americanos para iniciar seu plantel, todos de pelagem cinza. A alta precocidade e ótima fertilidade da raça era o que Pratinha buscava para o seu rebanho. Os animais estão concentrados na Fazenda Concórdia/SP.

O Brahman vermelho é mais uma opção que a Prata Agropecuária disponibiliza ao mercado. Tudo começou com a importação de novilhas de Houston, no Texas, e com cruzamento absorvente de vacas Tabapuã de pelagem vermelha com touros da mesma pelagem. Como tinha dificuldades em conseguir sêmen de touros vermelhos com caráter mocho, Pratinha e seu filho, Guilherme Coimbra Prata (já falecido), buscaram grandes raçadores na Austrália. Essa foi uma decisão que ajudou a revolucionar a seleção da raça conduzida pela família Prata, e os investimentos em genética proporcionaram melhores resultados na produtividade e lucratividade. Atualmente, a propriedade conta com 500 matrizes, que estão concentradas na Fazenda Belo Horizonte, em Paranavaí/PR.

Com a visão de sempre inovar os negócios, Pratinha iniciou, nos anos 1990, sua seleção de Brangus, na Fazenda Rio Bonito, em Umuarama (PR). Com mais de 20 anos de seleção, o grupo está produzindo Brangus 100% adaptado às condições da região Centro-Oeste, sempre buscando o máximo de adaptação para criar animais que expressem seu potencial dentro das condições de pastos. “O grande desafio eram as condições climáticas, em razão da adaptabilidade. Por isso, optamos por utilizar animais de pelo extremamente curto. Hoje, podemos afirmar que conseguimos uma genética totalmente adaptada às duras condições climáticas do pantanal mato-grossense”, explica Pratinha. Atualmente, o plantel conta com cerca de 600 matrizes.

Outra paixão que o patriarca conseguiu passar para as novas gerações da família foi o Quarto de Milha. Desde 1970, a Prata seleciona cavalos, com foco em linhagem de trabalho, apartação. O resultado é uma estante repleta de troféus conquistados nos campeonatos da Associação Brasileira de Apartação (ANCA) e Associação Brasileira de Quarto de Milha (ABQM). O plantel está concentrado em Tarabaí.

A diversidade dos negócios da Prata exige da família um gerenciamento afinado entre eles, para que todas as seleções de raças e espécies tenham sucesso dentro de uma pecuária cada vez mais competitiva. “Entregar o comando dos negócios para seus herdeiros nem sempre é uma tarefa fácil, porém, estamos tentando fazer da maneira mais profissional possível”, garante Isabela.

Segundo o especialista Cilotér Borges Iribarrem, a gestão e a sucessão no agronegócio brasileiro, até poucos anos atrás, acontecia de maneira intuitiva. Atualmente, as propriedades rurais viraram verdadeiras empresas, em que são utilizadas altas tecnologias e há um patrimônio bastante diversificado, pois, além da terra, existem construções, instalações, máquinas, equipamentos, marcas e genética, ativos estes difíceis de serem geridos e divididos por intuição. “Fazer sucessores implica definir claramente as funções de cada geração na gestão da propriedade. É fundamental estabelecer rotinas de reuniões entre os membros da família que participam da gestão. Os filhos enriquecerão ao escutar seus avós e pais e, da mesma forma, os pais também terão muito a ganhar se ouvirem seus filhos, pois cada geração tem o seu legado e as suas contribuições”, aconselha Iribarrem.

Segundo o especialista Cilotér Borges Iribarrem, a gestão e a sucessão no agronegócio brasileiro, até poucos anos atrás, acontecia de maneira intuitiva. Atualmente, as propriedades rurais viraram verdadeiras empresas, em que são utilizadas altas tecnologias e há um patrimônio bastante diversificado, pois, além da terra, existem construções, instalações, máquinas, equipamentos, marcas e genética, ativos estes difíceis de serem geridos e divididos por intuição. “Fazer sucessores implica definir claramente as funções de cada geração na gestão da propriedade. É fundamental estabelecer rotinas de reuniões entre os membros da família que participam da gestão. Os filhos enriquecerão ao escutar seus avós e pais e, da mesma forma, os pais também terão muito a ganhar se ouvirem seus filhos, pois cada geração tem o seu legado e as suas contribuições”, aconselha Iribarrem.

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