Para sua saúde: A crescente importância das interações entre medicamentos e nutrientes clinicamente relevantes

Por: Equipe Editorial da DSM Pharma Solutions

As tendências de crescimento populacional e uma maior ênfase no manejo de doenças crônicas resultaram em uma incidência crescente de interações entre medicamentos e nutrientes e medicamentos e microbiomas.  O desafio em avançar tanto na pesquisa clínica básica como na pesquisa aplicada neste campo, para ajudar a preencher a lacuna entre a ciência e a prática, permanece para pesquisadores e médicos.

Uma crescente preocupação com a saúde pública

Aumentos significativos na utilização de medicação global resultaram em uma miríade de consequências não intencionais, entre as quais está um aumento drástico nas interações entre medicamentos e nutrientes (drug-nutrient interactions, - DNIs). As DNIs são definidas como relações físicas, químicas, fisiológicas ou fisiopatológicas entre um medicamento e um nutriente presente em um alimento ou suplemento.[1]  Estima-se que 70% dos americanos tomem pelo menos um medicamento prescrito (mais de 50% tomam dois), dos quais mais de 40% tomam suplementos concomitantemente.[2]  Os subgrupos de pacientes de alto risco (ou seja, pacientes com mais de 65 anos com múltiplas comorbidades, indivíduos desnutridos, mulheres grávidas e/ou crianças) representam uma parcela desproporcional da utilização geral de medicamentos e nutrientes, aumentando ainda mais o risco de complicações em indivíduos com polifarmácia para o tratamento e manejo de doenças crônicas.[3]  No mundo ocidental, eventos adversos de medicamentos são a terceira causa mais comum de mortalidade - depois das doenças cardiovasculares e do câncer.  Ainda assim, as DNIs permanecem sendo significativamente pouco relatadas; estudos recentes estimaram que 94% das reações potenciais a medicamentos não são relatadas pelos profissionais de saúde internacionalmente.[4,5]  Enquanto isso, pesquisas emergentes destacaram o impacto mensurável de medicamentos controlados sobre a composição do microbioma intestinal, um componente crítico do metabolismo, nutrição, fisiologia e função imunológica humana.[6,7] 

A relevância clínica das interações entre os medicamentos e os nutrientes

Uma DNI é considerada clinicamente relevante quando a resposta farmacocinética de um medicamento (ou seja, sua absorção, volume de distribuição, metabolismo ou excreção) é alterada, afetando a disponibilidade de medicamentos e/ou nutrientes em vários locais de ação ou alterando sua ação fisiológica no nível celular.[8]  Isso pode resultar numa variedade de respostas de medicamentos e/ou nutrientes terapêuticas, conduzindo à perda de eficácia terapêutica ou controle da doença, estado nutricional comprometido, toxicidade do medicamento ou mortalidade.[9,10]

Embora haja uma variedade de DNIs bem documentadas, três são encontradas cada vez mais na prática clínica:

Metformina & Vitamina B12

As biguanidas, como a metformina, precipitam a deficiência de vitamina B12 dependente da duração do tratamento e da dose em aproximadamente 30% dos pacientes com diabetes mellitus tipo 2.[11]  Caso não seja tratada, a deficiência de vitamina B12 pode levar à demência, danos neurológicos e anemia.[12]

Inibidores da bomba de prótons (Proton Pump Inhibitors, - PPIs) & Vitaminas C e B12

O principal mecanismo de ação dos PPIs é inibir a produção de ácido gástrico.  Assim, pode ocorrer a diminuição da absorção de micronutrientes que dependem de ambientes de baixo pH para captação intestinal e celular com o uso crônico.  Estudos de controle de caso e de coorte prospectivos medindo a B12 sérica em adultos mais velhos demonstraram que o uso de PPIs por pelo menos 12 meses esteve associado a um risco elevado de deficiência de B12. Essa relação persistiu até mesmo quando se ajustou quanto ao uso de multivitamínicos ou suplementação apenas com B12 [13,14]  Além disso, dada a dependência da vitamina C biologicamente ativa do ácido gástrico, pesquisas recentes demonstraram que o uso do PPI também pode estar ligado à redução dos níveis séricos/plasmáticos de vitamina C.[15] Por fim, há evidências que sugerem que os PPIs influenciam diretamente na composição do microbioma intestinal por meio de alterações no pH gástrico geral.[16]

Anti-Inflamatórios Não Esteroides (AINEs) e Vitamina C

Um recente estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego, de grupos paralelos, em homens e mulheres saudáveis, descobriu que 2.400 mg de aspirina por seis dias reduziram as concentrações de vitamina C na urina, no plasma e, principalmente, na mucosa gástrica.[17]  A diminuição da vitamina C na mucosa gástrica pode ser causada pelo aumento das defesas antioxidantes em resposta à lesão da mucosa induzida pela aspirina, em vez de da absorção intestinal prejudicada.[Ibid]  Essa hipótese é apoiada por vários estudos in vivo e in vitro em que a administração concomitante de vitamina C e aspirina diminuiu o número de lesões gástricas induzidas pela aspirina e aumentou a tolerabilidade gástrica.[18]  Rogers et al. avaliaram recentemente o impacto dos AINEs sobre o microbioma intestinal e concluíram, por fim, que a composição bacteriana do intestino variou entre os pacientes de acordo com o AINE específico utilizado (e com os medicamentos sendo tomados concomitantemente), comprovando, dessa forma, o impacto dessa classe de medicação sobre a saúde intestinal.[19]  

Uma oportunidade única

Embora os impactos clínicos das DNIs estejam se tornando cada vez mais claros, as soluções para seus problemas são incontestavelmente menores.  Primeiramente, a lacuna educacional dos profissionais da saúde em relação às DNIs precisa ser abordada por meio de uma revisão sistemática dos programas de educação médica, farmacêutica e de enfermagem.  Devem também ser desenvolvidas diretrizes clínicas rigorosas, centradas no paciente e específicas da DNI, melhorando assim a conscientização e a responsabilidade de todos os profissionais.  Por fim, dado o consumo crescente de suplementos alimentares e o subsequente crescimento da utilização e risco de DNIs, é essencial que a estrutura regulatória existente seja revisada e otimizada para facilitar a supervisão e a mobilização de recursos, ajudando, dessa forma, a preencher a lacuna entre a ciência e a prática.[20]

Direção para o futuro

À medida que as DNIs e as interações entre o microbioma e os medicamentos começam a se tornar o centro das atenções, futuras modalidades terapêuticas emergirão.  Tratamentos que combinam probióticos + vitaminas têm o potencial de abordar as manifestações clínicas das interações entre medicamento e nutriente e entre medicamento e microbioma.  Por fim, testes personalizados de matriz e aplicações farmacogenômicas permitirão que os pacientes e os profissionais de saúde identifiquem e tratem os resultados clínicos de maneira precisa e específica de cada paciente, minimizando assim os eventos adversos e melhorando os resultados clínicos gerais.

Para obter mais informações, entre em contato conosco ou faça o download de nossa monografia, “Compreendendo as interações em medicamentos e nutrientes e sua relevância clínica” (Understanding drug-nutrient interactions and their clinical relevance)

Publicado

23 Abril 2018

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7 min. de leitura

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Referências

[1] Mayo Clinic: Nearly 7 in 10 Americans take prescription drugs, abril de 2018 ( https://newsnetwork.mayoclinic.org/discussion/nearly-7-in-10-americanstake-prescription-drugs-mayo-clinic-olmstedmedical-center-find).

[2] J. Boullata et al. Handbook of drug-nutrient interactions. Humana Press 2010.

[3] M. Raats et al. Food for the ageing population. Woodhead Publishing Limited 2009.

[4] A. Jemal et al. Trends in the leading causes of death in the United States in years 1970–2002. JAMA 2005;294(10):1255–1259.

[5] L. Hazell et al. Under-reporting of adverse drug reactions: a systematic review. Drug Saf 2006;29(5):385-371.

[6] L. Maier et al. Extensive impact of non-antibiotic drugs on human gut bacteria. Nature 2018;555:623-628.

[7] M. Bull et al. The Human Gut Microbiome in Health and Disease. Integr Med 2014;13(6):17-22.

[8] J. Boullata et al. Drug and nutrition interactions: not just food for thought. J Clin Pharm Ther 2013;38(4):269-271.

[9] U. Grober et al. Interactions between drugs and micronutrients. Med Monatsschr Pharm 2006;29(1):26–35.

[10] Op. cit. (J. Boullata 2013).

[11] G. Tomkin et al. Vitamin-B12 status of patients on long-term metformin therapy. Br Med J 1971;19(2):685-7.

[12] DSM. Entendendo as interações entre os medicamentos e os nutrientes e sua relevância clínica. Monografia de Soluções Farmacêuticas 2018.

[13] Op. cit. (L. Hazell 2006).

[14] P. Mason et al. Symposium 8: Drugs and nutrition Important drug-nutrient interactions. Proceedings of the Nutrition Society 2010;69(4):551-557.

[15] Op. cit. (DSM 2018).

[16] M. Rogers et al. The influence of non-steroidal anti-inflammatory drugs on the gut microbiome. Clin Microbiol Infect 2016;22:171-179.

[17] W. Caspary et al. Alteration of bile acid metabolism and vitamin-B12 absorption in diabetes on biguanides. Diabetologia 1977;13(3):187-93.

[18] Op. cit. (DSM 2018).

[19] Op. cit. (M. Rogers 2016).

[20] Op. cit. (DSM 2018).

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